Evangelho Árabe da Infância — 10. Queda dos ídolos
Ler no Une Sacra1E, enquanto pensava consigo como faria a sua viagem, sobreveio a aurora, e ele se encontrou já tendo percorrido metade do caminho. E, ao romper do dia, estava perto de uma grande aldeia, onde, entre os demais ídolos e divindades dos egípcios, havia um ídolo no qual residia um espírito rebelde, e os egípcios lhe faziam sacrifícios, lhe apresentavam oferendas e lhe consagravam libações. E havia também um sacerdote, que morava perto do ídolo para servi-lo, e a quem o demônio falava de dentro da estátua. E, cada vez que os egípcios queriam interrogar os seus deuses por meio daquele ídolo, dirigiam-se ao sacerdote, que dava a resposta e transmitia o oráculo divino ao povo do Egito e às suas diferentes províncias. Este sacerdote tinha um filho de trinta anos, que estava possuído por vários demônios e que discursava sobre todo gênero de coisas. Quando os demônios se apoderavam dele, rasgava as suas vestes, mostrava-se nu a todos e atacava as pessoas a pedradas. E, na aldeia, havia um asilo, posto sob a proteção do dito ídolo.
2E, quando Jesus, Maria e José chegaram à aldeia e se aproximaram do asilo, um terror extremo apoderou-se dos habitantes do país. E produziu-se um tremor no asilo e um abalo em toda a terra do Egito, e todos os ídolos caíram dos seus pedestais e se quebraram. Todos os grandes do Egito e todos os sacerdotes dos ídolos congregaram-se junto ao sacerdote do ídolo em questão e lhe perguntaram: Que significam esta perturbação e este terremoto que se produziram no nosso país? E o sacerdote lhes respondeu, dizendo: Está presente aqui um deus invisível e misterioso, que possui, oculto em si, um filho semelhante a si mesmo, e a passagem deste filho estremeceu o nosso solo. À sua chegada, a terra tremeu diante do seu poder e diante do aparato terrível da sua majestade gloriosa. Temamos, pois, em extremo, a violência do seu ataque. Neste momento, o ídolo da aldeia também desabou no chão, feito em pedaços, e a sua queda fez todos os egípcios reunirem-se junto ao célebre sacerdote, o qual lhes disse: Devemos adotar o culto deste deus invisível e misterioso. Ele é o Deus verdadeiro, e não há outro a quem servir, porque ele é realmente o filho do Altíssimo.
Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco
Fonte: Wikisource
Licença: Domínio público