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Evangelho Árabe da Infância — 42. Cura de Simão, mordido por uma serpente. Mais dois prodígios

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1Entretanto, eis que se aproximaram daquele lugar várias pessoas, que transportavam um menino de quinze anos chamado Simão. Este menino tinha ido com outros à montanha para recolher lenha. E, na montanha, encontrou um ninho de pardais e estendeu a mão para pegar os ovos. E uma serpente venenosa, que se encontrava no ninho, mordeu-o. E ele pediu socorro e, quando os seus companheiros chegaram, viram-no estendido no chão como morto. E os seus pais o levavam para conduzi-lo a Jerusalém, para que um médico o visse.

2Ao passarem diante do grupo de crianças em que Jesus se encontrava exercendo o seu papel de rei, com os seus companheiros ao seu redor, semelhantes a servos, estes disseram aos que carregavam o menino: Vinde ver o que o rei deseja de vós, e saudai-o. Mas eles se recusaram a ir, por causa do desgosto que sentiam. Então as crianças os arrastaram violentamente e contra a sua vontade.

3Os pais de Simão choravam, porque o menino estava muito mal da sua mordida e tinha o braço inflamado e inchado. Quando chegaram perto de Jesus, este lhes perguntou: Por que chorais? E eles responderam: Por causa deste nosso filho, que, tendo ido procurar ninhos de pardais, foi mordido por uma serpente. E Jesus disse a todos: Vinde comigo matar a serpente. Mas os pais do menino disseram: Deixa-nos ir, porque o nosso filho está prestes a morrer. Os camaradas de Jesus replicaram: Recusais-vos a obedecer, depois de terdes ouvido o que o rei ordenou? Vamos matar a serpente. E, sem outra licença, empreenderam a subida da montanha.

4Quando chegou perto do ninho, Jesus perguntou aos pais: É aqui que se encontra a serpente? E eles responderam: Sim. Então Jesus chamou a serpente, que saiu sem demora e se humilhou diante dele, que lhe disse: Vai chupar o veneno que injetaste nesse menino. E a serpente arrastou-se até ele e chupou-lhe todo o veneno. E Jesus a amaldiçoou, e a serpente rebentou. E pôs a mão sobre o pequeno, que, mesmo vendo-se curado, começou a chorar. Mas Jesus lhe disse: Não chores, que com o tempo serás meu discípulo. E este discípulo era o mesmo de que fala o Evangelho, e que os apóstolos chamaram Simão Zelote ou Qananaia, por causa daquele ninho de pardais no qual uma serpente o tinha mordido.

5Pouco depois chegou um homem de Jerusalém. E as crianças foram até ele e o detiveram, dizendo-lhe: Vem saudar o nosso rei. E, quando o homem obedeceu, Jesus observou que ele trazia enroscada no pescoço uma serpente, a qual ora o sufocava, ora afrouxava os seus anéis. Jesus lhe perguntou: Há quanto tempo essa serpente está no teu pescoço? O homem respondeu: Há três anos. Jesus acrescentou: De onde caiu ela sobre ti? O homem respondeu: Eu lhe fiz uma boa ação, e ela me pagou com outra má. Jesus insistiu: De que maneira lhe fizeste bem, e ela te pagou com o mal? O homem respondeu: Encontrei-a no inverno, enregelada de frio. Pus-a no meu peito e, chegando à minha casa, meti-a num cântaro de barro, cuja abertura fechei. E, quando abri o cântaro para tirá-la dali, lançou-se ao meu pescoço e nele se enroscou. Atormenta-me, estrangula-me, e não consigo livrar-me dela. E Jesus disse: Agiste mal, sem o saber. Deus criou a serpente para viver no pó da terra e ter alternadamente frio e calor. De ti dependia que ela continuasse vivendo no pó da terra, conforme a vontade divina. Mas tu a agarraste, levaste-a contigo e a encerraste num cântaro, sem lhe dar alimento. Não procedeste bem a respeito dela. E Jesus disse à serpente: Desce de onde estás e vai viver no chão. E a serpente obedeceu e soltou-se do pescoço do homem, que disse: Na verdade, tu és rei, o rei dos reis, e todos os encantadores e todos os espíritos rebeldes reconhecem o teu império e te obedecem.

6Chegou em seguida um jovem montado num jumento e acompanhado de um velho que, chorando, o amparava. E Jesus o viu, compadeceu-se dele e lhe disse: Que tens, velho, que assim choras? Qual é a causa das tuas lágrimas? E o velho disse: Como não chorar e atormentar-me? Este meu filho era quem nos sustentava e nos servia, a mim e a sua mãe, também idosa. Mas uns ladrões o assaltaram, despojaram, espancaram, feriram e depois foram-se embora, deixando-o como morto. E Jesus sentiu compaixão do velho e pôs a mão direita sobre o jovem, que imediatamente ficou curado das suas feridas, desceu do jumento, pôs-se a caminhar com os próprios pés e regressou ao seu lar com o seu pai.

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Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco

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