Une Sacra

Evangelho Árabe da Infância — 29. Cura de Cléopas. Rivalidade de duas mães

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1E havia também, naquele lugar, duas mulheres casadas com um mesmo homem. Cada uma delas tinha um filho, e os dois meninos sofriam muito. E uma daquelas duas mulheres chamava-se Maria, e o seu filho Cléopas. E, tomando o seu filho, foi à casa da mãe de Jesus e lhe deu de presente um belo véu, dizendo-lhe: Ó Maria, minha Senhora, recebe este véu e dá-me, em troca, um só dos panos do teu filho. E Maria o fez, e a mãe de Cléopas foi-se embora e, daquele pano, fez uma túnica, com a qual vestiu o seu filho, que ficou imediatamente livre do seu mal. E o filho da sua rival, chamada Azrami, morreu, o que produziu inimizade entre ambas. Porque Azrami tomou aversão e horror a Maria, vendo que o filho desta estava vivo e são, enquanto o seu tinha morrido.

2E as duas mulheres tinham o costume de fazer o serviço da casa alternadamente, cada uma durante uma semana. E, quando chegou a vez de Maria, ela se preparou para cozer o pão. E acendeu o forno e foi buscar a massa. Azrami, percebendo que ninguém a via, correu a buscar o menino, que estava sozinho naquele momento, lançou-o no forno e afastou-se dali. E, quando Maria voltou, encontrou o seu filho rindo no meio do forno em que o tinham lançado, e o forno já frio como a neve, como se nele não se tivesse posto fogo algum. Então a mãe do menino compreendeu que fora a sua rival quem o lançara às chamas. E, tirando Cléopas do forno, foi à casa da Virgem, a quem contou o caso. E a Virgem lhe disse: Tranquiliza-te, porque isto redundará em teu proveito, e não fales do caso a ninguém. Não o calar de nada te servirá, e até temo por ti, se for divulgado.

3E aconteceu pouco depois que, indo Azrami ao poço buscar água, viu Cléopas, que brincava ali por perto. Ninguém aparecia pelos arredores. E, tomando o menino, lançou-o no poço e voltou para casa. Quando outras pessoas chegaram ao poço para fazer a sua provisão de água, viram o menino, que se divertia, dava vagidos e ria, sentado sobre a água. E desceram ao poço e o tiraram de lá. E, possuídos de extrema admiração pelo pequenino, glorificaram a Deus. Mas a sua mãe, que sobreveio, tomou-o e o levou, chorando, à Virgem, a quem disse: Vê, minha mãe, o que a minha rival fez com o meu filho, e como o lançou no poço. É inevitável que ela acabe por fazê-lo perecer. Mas a Virgem lhe respondeu: Acalma-te, porque muito em breve Deus te livrará dela, te fará justiça e te vingará. E, com efeito, como poucos dias depois Azrami fosse tirar água do poço, os seus pés se enredaram na corda, e ela caiu no fundo. E as pessoas que chegaram para tirá-la encontraram-na com a cabeça esmagada e os ossos quebrados. Assim morreu de má morte, e nela se cumpriu o que Davi tinha escrito: Cavaram um poço, fizeram-no profundo, e caíram na cova que eles mesmos abriram.

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Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco

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