Evangelho Árabe da Infância — 30. Cura de Tomé Dídimo (ou de Bartolomeu)
Ler no Une Sacra1E havia ali outra mulher, que tinha dois filhos gêmeos. Ambos contraíram uma doença. Um tinha morrido, e o outro agonizava. E a mãe tomou o último, chorando, e o levou a Nossa Senhora Santa Maria, a quem disse: Ó Maria, minha Senhora, vem em minha ajuda e socorre-me! Eu tinha dois filhos gêmeos e, nesta hora, enterrei um, e o outro está prestes a morrer. Escuta a prece e a súplica que vou dirigir a Deus. E, desfeita em lágrimas, tomou o seu filho nos braços e pôs-se a dizer: Ó Senhor, tu que és terno para com os homens e não implacável, bom e não inflexível! Ó Senhor, amigo dos homens, clemente, misericordioso e santo, faze justiça à tua serva! Tu me deste dois filhos e me tiraste um. Deixa-me, ao menos, o que me resta.
2À vista daquele pranto ardente, Santa Maria teve piedade dela e lhe disse: Deposita o teu filho sobre o leito do meu e cobre-o com as roupas deste último. E ela o depositou sobre o leito em que estava o Cristo. O menino já tinha os olhos fechados, como para deixar a vida. Mas, quando o odor dos eflúvios que emanavam das roupas do Cristo chegou ao pequenino, este aspirou um espírito de vida nova, abriu os olhos e, dando um grande grito, exclamou: Mãe, dá-me o peito! E ela lho deu, e o menino mamou. E sua mãe disse a Nossa Senhora Santa Maria: Agora sei que a virtude de Deus reside em ti a tal ponto que o teu filho tem o poder de curar os seus semelhantes pelo simples contato com as suas roupas. E o menino curado daquele modo era o que o Evangelho chama Tomé, apelidado Dídimo pelos demais apóstolos.
Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco
Fonte: Wikisource
Licença: Domínio público