Une Sacra

Evangelho do Pseudo-Mateus — 12. A prova da água

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1Depois disto, espalhou-se a notícia de que Maria estava grávida. E José foi conduzido diante do Sumo Sacerdote pelos servidores do templo, e este, com os demais sacerdotes, cobriu-o de censuras, dizendo-lhe: Por que seduziste uma donzela de tanto mérito, que os anjos de Deus alimentaram no templo como uma pomba, que nunca quis sequer ver um homem e que era tão instruída na lei de Deus? Se não a tivesses violentado, ela permaneceria virgem até agora. Mas José jurava que nunca a tinha tocado. Então o Sumo Sacerdote Abiatar lhe disse: Pela vida de Deus, eu te farei beber a água da bebida do Senhor, e no mesmo instante o teu pecado será demonstrado.

2Então todo Israel se reuniu numa multidão inumerável, e também Maria foi conduzida ao templo do Senhor. E os sacerdotes e os parentes de Maria lhe diziam, chorando: Confessa o teu pecado aos sacerdotes, tu que eras como uma pomba no templo de Deus e que recebias o teu alimento da mão de um anjo. José foi levado ao altar. E deram-lhe a água da bebida do Senhor. Se um homem, depois de ter mentido, a provava e dava sete voltas ao redor do altar, Deus punha algum sinal no seu rosto. E, quando bebeu tranquilamente e deu sete voltas ao altar, nenhum sinal de pecado apareceu no seu rosto. Então todos os sacerdotes, os servidores do templo e a multidão proclamaram a sua virtude, dizendo: Feliz és, porque em ti não se achou falta.

3E, chamando Maria, disseram-lhe: Mas tu, que desculpa poderias dar? E que sinal maior poderia mostrar-se em ti do que essa gravidez que te trai? Só te pedimos que digas quem te seduziu, já que José está puro de toda relação contigo. Mais te valerá confessar o teu pecado do que deixar que a cólera de Deus te marque com o seu sinal diante de todo o povo. Porém Maria lhes disse com firmeza e sem tremer: Se há alguma mancha, ou pecado, ou concupiscência impura em mim, que Deus me aponte diante de todos os povos, para que eu sirva a todos de exemplo salutar. E aproximou-se confiantemente do altar do Senhor, bebeu a água da bebida do Senhor, deu as sete voltas ao altar, e não se viu nela nenhuma marca.

4E, como todo o povo estava cheio de estupor e de dúvida, vendo a gravidez de Maria sem que sinal de impureza aparecesse no seu rosto, levantou-se entre a multidão um grande vozerio de palavras contraditórias. Uns louvavam a sua santidade, enquanto outros a acusavam. Então Maria, percebendo que o povo não considerava completa a sua justificação, disse em voz clara, para ser entendida por todos: Pela vida do Senhor, Deus dos Exércitos, em cuja presença me encontro, eu não conheci nenhum homem, e mais, não o devo conhecer, porque desde a minha infância tomei essa resolução. E desde a minha infância fiz a Deus o voto de permanecer pura para aquele que me criou, e assim quero viver para Ele só, e para Ele só permanecer sem mácula enquanto existir.

5Então todos a abraçaram, pedindo-lhe que perdoasse as suas maliciosas suspeitas. E todo o povo, os sacerdotes e todas as virgens a levaram para a sua casa, cheios de alegria, gritando e dizendo: Bendito seja o nome do Senhor, porque manifestou a tua santidade a todo o povo de Israel.

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Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco

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