Evangelho da Infância segundo Tomé — 7. Perplexidade de Zaqueu
Ler no Une Sacra1E, quando Zaqueu, o mestre-escola, ouviu o menino expor as alegorias tão numerosas e tão grandes da primeira letra, ficou perplexo diante de tal resposta e de tal ensinamento, e disse aos presentes: Infeliz de mim, a que ponto me vejo reduzido! Cobri-me de vergonha ao trazer este rapaz para a minha escola.
2Assim, pois, irmão José, peço-te que o leves contigo, porque não posso suportar a severidade do seu olhar, nem penetrar de modo algum o sentido da sua palavra. Este menino não nasceu na terra; é capaz de domar o próprio fogo, e talvez tenha sido gerado antes da criação do mundo. Que ventre o carregou? Que seio o amamentou? Não sei. Ai, meu amigo, o teu filho põe-me fora de mim, e não consigo acompanhar o seu pensamento! Enganei-me por completo. Eu queria ter nele um discípulo, e descobri que tenho nele um mestre.
3Reconheço a minha humilhação, meus amigos, porque eu, que sou um velho, fui vencido por um menino. E não me resta senão entregar-me ao desânimo ou à morte por causa deste menino, já que neste momento não consigo olhá-lo de frente. Que responderei quando todos disserem que fui derrotado por um pequenino? E que poderei explicar sobre o que ele me disse a respeito das linhas do primeiro traço? Não sei, meus amigos, pois não conheço nem o começo nem o fim deste menino.
4Assim, pois, irmão José, peço-te que o leves contigo para a tua casa. É algo muito grande, sem dúvida: um deus, um anjo ou algo semelhante.
Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco
Fonte: Wikisource
Licença: Domínio público