Almanaques de Nostradamus — Presságios de 1555
Ler no Une Sacra1Pelo Espírito divino a alma tocada pressagia
Perturbação, fome, peste, guerra a correr:
Águas, secas, terra e mar tingidos de sangue,
Paz, trégua, prelados a nascer, príncipes a morrer.
2O mar Tirreno, o Oceano sob a guarda
Do grande Netuno e de seus soldados do tridente:
Provença segura pela mão do grande Tende,
E mais Marte em Narbona, o heroico de Villars.
3O grande bronze que ordena as horas,
Na morte do Tirano se quebrará:
Prantos, queixas e gritos, águas, gelo, pão não dá,
V. S. C. paz, o exército passará.
4Perto do Lemano o pavor será grande,
Pelo conselho, isso não pode falhar:
O novo Rei manda aprontar sua tropa,
O jovem morre de fome, o medo fará saltar.
5Ó Marte cruel, como serás temível,
Mais ainda quando a Foice à Prata estiver unida:
Frota, tropas, água, vento, temer a sombra,
Mar, terra, trégua. O amigo a L. V. se uniu.
6Por não te guardares serás mais ofendido,
O fraco forte, o inquieto pacífico:
Clama-se de fome. O povo está oprimido,
O mar se avermelha, o Longo altivo e iníquo.
7No cinco, seis, quinze, tarde e cedo se demora,
O nascido sem fim: as cidades revoltadas:
O arauto da paz vem, e três se retiram,
O aberto o cinco fecha. Notícias inventadas.
8Longe, perto da Urna, o maligno volta atrás,
Que ao grande Marte o fogo dará impedimento:
Para o Aquilão, ao meio-dia, a grande fera,
Flora manterá a porta em pensamento.
9Oito, quinze e cinco, que deslealdade!
Virá permitir o explorador maligno:
Fogo do céu, raio. Medo, pavor no Papado,
O Ocidente treme. Aperta demais o vinho de Salins.
10Seis, doze, treze, vinte, falará a Dama,
O mais velho será por mulher corrompido:
Dijon, Guiena, granizo, raio a atinge,
O insaciável de sangue e vinho saciado.
11Chorar o céu. Ele fez fazer aquilo,
O mar se apresta. Aníbal faz suas astúcias:
Dionísio molha. A frota tarda. Não calar,
Não soube o segredo. E com que te distrais?
12Vênus e Netuno prosseguirão a empresa,
Apertados, pensativos. Perturbados os opositores:
Frota no Adriático. Cidades para o Tâmisa,
O quarto rumor fere de noite os que repousam.
13O grande do céu sob a Capa dará
Socorro. O Adriático à porta faz oferta:
Salvar-se-á dos perigos quem puder,
De noite o Grande ferido persegue o cofre.
14A porta clama, fraudulenta e fingida demais,
A goela aberta, condição de paz:
Ródano cristalino. Água, neve, gelo tingido,
A morte, morte, vento. Pela chuva quebrado o fardo.
Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular
Fonte: Wikisource — Le Pelletier, Les oracles de Michel de Nostredame (1867)
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