Atos de João — O fim e a ressurreição de Drusiana
Ler no Une Sacra62Depois disto chegamos a Éfeso. E, quando os irmãos que lá viviam souberam que João voltara depois de muito tempo, reuniram-se na casa de Andrônico, onde ele também costumava ir, tocaram-lhe os pés, puseram as suas mãos no rosto e beijaram-nas. [Muitíssimos também se alegravam ao tocar a sua veste e eram curados por terem tocado a veste do santo apóstolo.]
63E, enquanto havia grande amor e alegria sem fim entre os irmãos, um homem, servo de Satanás, cobiçou Drusiana, embora visse e soubesse que ela era a mulher de Andrônico. Muitíssimos também o admoestaram: “É impossível que obtenhas esta mulher, especialmente também porque ela se separou, por piedade, da comunhão com o marido. Ou só tu não sabes que Andrônico, que antes não era o que agora é, a saber, um homem piedoso, a encerrara num túmulo, dizendo: ‘Ou te terei por mulher, como te tive antes, ou terás de morrer’? E ela preferiu antes morrer a praticar o ato que lhe repugnava. Ora, se ela negou, por piedade, o seu consentimento à união (carnal) ao seu marido e senhor, e até o persuadiu a pensar como ela, consentiria contigo, que queres cometer adultério com ela? Desiste da tua paixão, que não te dá descanso! Desiste do teu plano, que não podes realizar!”
64Embora os seus amigos íntimos o admoestassem, não puderam persuadi-lo, e ele foi tão impudente que lhe mandou recado. Quando Drusiana soube da sua paixão vergonhosa e das suas exigências desavergonhadas, ficou muito desanimada, e depois de dois dias foi tomada de febre. Ela disse: “Oh, se ao menos eu não tivesse voltado à minha cidade natal, onde me tornei pedra de tropeço para um homem que não crê no culto de Deus! Pois, se alguém estivesse cheio da palavra de Deus, não cairia em tal paixão. Por isso, ó Senhor, visto que me tornei cúmplice de um golpe que feriu uma alma inexperiente, livra-me desta prisão e leva-me depressa para junto de ti!” E, sem ser compreendida por ninguém, Drusiana partiu desta vida na presença de João — não alegrando-se, mas entristecendo-se pela perturbação física daquele (homem).
65E Andrônico estava triste, e trazia no coração uma dor oculta, e chorava amargamente, de modo que João só pôde fazê-lo calar dizendo-lhe: “Drusiana partiu desta vida para uma esperança melhor.” A isto respondeu Andrônico: “Disto estou certo, João, e não tenho dúvida na fé no meu Deus. Mas as minhas esperanças fundam-se sobretudo nisto: que ela partiu desta vida pura.”
66Depois que ela foi sepultada, João tomou Andrônico à parte e, tendo sabido a causa, entristeceu-se mais do que Andrônico. E guardou silêncio, considerando as ameaças do inimigo, e sentou-se um pouco. Quando os irmãos se reuniram para ouvir que palavras ele diria acerca da defunta, começou a falar:
67“Quando o timoneiro que atravessa o oceano aportou com o navio e os passageiros num porto tranquilo, livre de tempestades, sente-se seguro. O lavrador que entregou as sementes à terra e cuidou delas com grande esforço só então gozará de descanso dos seus trabalhos, quando tiver recolhido trigo abundante nos seus celeiros. Quem prometeu tomar parte na corrida só deve alegrar-se quando tiver obtido o prêmio da vitória. Aquele cujo nome está inscrito na lista dos lutadores só deve triunfar depois de ter recebido as coroas. E assim é com todas as corridas e artes, quando não decepcionam no fim, mas são levadas a cabo como foram planejadas.
68“Assim, penso eu, é com a fé que cada um de nós pratica, e que só pode ser julgada como tendo sido a verdadeira quando permaneceu a mesma até o fim da vida. Pois há muitos obstáculos que causam inquietação ao raciocínio humano: preocupações, filhos, pais, glória, pobreza, lisonja, juventude, beleza, jactância, sede de riquezas, ira, orgulho, frivolidade, inveja, paixão, descuido, libertinagem, amor, escravos, dinheiro, fingimento e todos os outros obstáculos semelhantes que existem na vida; assim como, para o timoneiro que segue o seu curso numa viagem tranquila, os ventos contrários, e uma grande tempestade, e uma onda poderosa, quando o céu está sereno; para o lavrador, o tempo fora de época, e a ferrugem, e os vermes que saem da terra; para os atletas, o ‘quase’; e para os artistas, os obstáculos que deles procedem.
69“O crente deve, acima de tudo, considerar o fim e examinar com cuidado como ele virá: se enérgico, e sóbrio, e sem impedimento, ou em confusão, e lisonjeando este mundo, e preso pelas paixões. Assim, só se pode louvar a beleza do corpo quando está inteiramente descoberto; e o grande general, quando acabou felizmente toda a campanha, como prometera; e o excelente médico, quando teve êxito em todas as curas; e assim também uma alma, como cheia de fé e digna de Deus, se realizou felizmente o que prometeu; não uma que fez um (bom) começo e pouco a pouco desceu aos erros da vida e se enfraqueceu; também não a paralisada, que à força se ocupou de coisas mais altas e depois foi arrastada para baixo, para o perecível; também não a que amou o temporal mais do que o eterno; nem a que trocou o perecível ‹ pelo duradouro ›; também não a que honrou o que não devia ser honrado ‹ e amou › obras de desonra; também não a que aceitou penhores de Satanás e recebeu a serpente na sua casa; nem uma que foi injuriada por amor de Deus e depois se envergonhou, nem uma que disse com a boca: Sim, mas não o mostrou pela ação; mas uma que se recusou a inflamar-se em concupiscência imunda, a sucumbir à leviandade, a ser apanhada pela sede de dinheiro e a ser traída pela força do corpo e pela ira.”
70Enquanto João continuava a pregar aos irmãos, para que desprezassem os bens terrenos por amor dos eternos, o amante de Drusiana, inflamado pela atividade de Satanás polimorfo às paixões mais ardentes, corrompeu com muito dinheiro o ganancioso administrador de Andrônico. E este abriu o túmulo de Drusiana e deixou-lhe realizar no corpo o que (outrora) lhe fora negado. Visto que não a obtivera em vida, pensava continuamente no seu corpo depois de morta e exclamava: “Embora em vida te tenhas recusado a unir-te a mim em amor, depois da tua morte ainda violarei o teu corpo.” Estando em tal disposição, obteve a oportunidade de executar o seu desígnio ímpio por meio do maldito administrador, e ambos foram ao túmulo. Tendo aberto a porta, começaram a tirar as vestes fúnebres do cadáver e disseram: “De que te serviu, infeliz Drusiana? Não podias ter feito em vida aquilo cuja realização voluntária logo já não te teria causado dor alguma?”
71Enquanto falavam assim e só restava a camisa, apareceu algo maravilhoso, que merecem experimentar as pessoas que fazem tais coisas. Uma serpente apareceu de repente, mordeu o administrador e matou-o. E a serpente não mordeu o jovem, mas enroscou-se nos seus pés, silvando terrivelmente, e, quando ele caiu, a fera sentou-se sobre ele.
72No dia seguinte, João, Andrônico e os irmãos foram ao romper do dia ao túmulo em que Drusiana estava havia três dias, para partirmos ali o pão. E, quando estavam para partir, as chaves não foram encontradas. E João disse a Andrônico: “Com razão se perderam, pois Drusiana não está no túmulo. Contudo, vamos, para que não pareças descuidado, e as portas se abrirão sozinhas, visto que o Senhor já nos deu muitas outras coisas.”
73Quando chegamos ao lugar, as portas abriram-se à ordem do mestre, e junto ao túmulo de Drusiana vimos um belo jovem sorrindo. Quando João o viu, exclamou e disse: “Também aqui te adiantas a nós, ó nobre (ó belo)? E por quê?” E ouviu a (sua) voz que lhe dizia: “Por causa de Drusiana, que hás de ressuscitar — pois por pouco eu a teria encontrado profanada — e por causa do morto que jaz junto ao túmulo.” E, tendo o nobre falado assim a João, subiu ao céu diante dos olhos de todos. E João voltou-se para o outro lado do túmulo e viu um jovem, o muito eminente efésio Calímaco — pois assim se chamava —, e sobre ele uma serpente enorme dormindo, e também o administrador de Andrônico, chamado Fortunato, morto. Vendo ambos, ficou perplexo e disse aos irmãos: “Que significa tudo isto? Ou por que o Senhor não me revelou o que aconteceu aqui, ele que sempre cuidou de mim?”
74Quando Andrônico viu estes corpos, deu um salto e foi ao túmulo de Drusiana. E, quando a viu só de camisa, disse a João: “Compreendo o que aconteceu, bem-aventurado servo de Deus. Este Calímaco amava a minha irmã. E, como não conseguia obtê-la, embora o tentasse muitas vezes, sem dúvida subornou com muito dinheiro este meu maldito administrador, com a intenção — como ao menos se pode perceber — de realizar por meio dele o seu propósito. Pois este Calímaco dizia a muitos: Se ela não ceder a mim em vida, será violada depois de morta. Isto, ó mestre, o nobre viu e não permitiu que os seus restos mortais fossem profanados; por isso morreram os que o tentaram. E isto te anunciou antes a voz que te veio: Ressuscita Drusiana! Pois ela partiu desta vida por tristeza. E estou convencido, por aquele que falou, de que este pertence ao povo enganado. Pois foste aconselhado a ressuscitá-lo também. Do outro sei que não merece a salvação. Mas uma coisa te peço: ressuscita primeiro Calímaco, e ele confessará o que aconteceu.”
75E João olhou para o cadáver e disse à serpente venenosa: “Afasta-te daquele que há de servir a Jesus Cristo!” Depois levantou-se e orou assim: “Deus, cujo nome é louvado por nós, como convém; Deus, que vences toda obra do (poder) inferior; Deus, cuja vontade se faz, que sempre nos ouves, torna agora também eficaz a tua graça neste jovem! E, se por meio dele deve realizar-se alguma dispensação, dá-no-la a conhecer quando ele for ressuscitado!” E o jovem levantou-se imediatamente e ficou quieto uma hora inteira.
76Tendo recobrado os sentidos, João perguntou o que significava a sua intrusão no túmulo. E, tendo sabido dele o que Andrônico já contara, como amava apaixonadamente Drusiana, João perguntou ainda se tinha realizado o seu mau desígnio de violar os restos mortais venerandos. E ele respondeu: “Como poderia eu tê-lo realizado, quando esta fera terrível matou Fortunato com uma mordida diante dos meus olhos — e isto com merecimento, pois ele me encorajou a tal ato desvairado, quando eu já desistira do terrível frenesi fora de hora —, mas ela me assustou e pôs-me no estado em que me viste, antes de eu me levantar de novo? Mas contar-te-ei outro milagre maior, que me tomou ainda mais e quase me matou. Quando a minha alma foi tomada de paixão louca e a doença incurável me atormentava agudamente, quando eu já a tinha despojado das vestes fúnebres com que estava vestida e saía do sepulcro para pô-las de lado, como vês, voltei-me para perpetrar o ato abominável. E vi um belo jovem cobrindo-a com o seu manto. Raios de luz caíam do seu rosto sobre o dela, e ele voltou-se também para mim e disse: Calímaco, morre, para que vivas. Quem era, não sabia, servo de Deus. Desde que vieste aqui, percebo que era um anjo de Deus. E isto sei verdadeiramente: que o verdadeiro Deus é pregado por ti; e estou certo disso. Mas peço-te, cuida que eu seja livrado de tal destino e terrível aventura, e leva ao teu Deus um homem que se extraviou num engano escandaloso e abominável. De joelhos peço o teu socorro. Tornar-me-ei um homem, (um) dos que esperam em Cristo, para que se torne verdadeira também a voz que aqui me falou: Morre para viver! E já está cumprida. Pois aquele incrédulo, imoderado, ímpio está morto; eu fui ressuscitado por ti como crente para o futuro, ‹ moderado ›, piedoso, para que conheça a verdade, que vos peço que me reveleis.”
77E João, alegrando-se, considerou todo o espetáculo da salvação dos homens e disse: “Ó Senhor Jesus Cristo, não sei quão poderoso és; estou pasmado com a tua grande misericórdia e a tua longanimidade sem fim. Oh, que grandeza desceu à servidão! Oh, liberdade indizível, que foi escravizada por nós! Oh, glória inconcebível, que veio sobre nós! Tu, que guardaste o sepulcro da vergonha, que te tornaste o Salvador daquele homem que se contaminou e ensinaste a ser casto aquele que ‹ pretendia violar › corpos mortos. Pai cheio de misericórdia e de compaixão para com aquele que não te considerou, nós te louvamos, glorificamos e honramos, e te damos graças pela tua grande bondade e longanimidade, santo Jesus, pois só tu és Deus e nenhum outro, tu, contra cujo poder todas as maquinações nada podem, agora e por toda a eternidade! Amém!”
78Depois destas palavras, João tomou Calímaco à parte, beijou-o e disse: “Glória ao nosso Deus, que teve misericórdia de ti, filho, e me julgou digno de louvar o seu poder, e te livrou por um método sábio daquela loucura e embriaguez apaixonada e te chamou ao descanso e à renovação da vida.”
79Quando Andrônico viu que Calímaco fora ressuscitado dos mortos, ele e os irmãos suplicaram a João que ressuscitasse também Drusiana, e disseram: “João, que ela seja ressuscitada e complete felizmente o curto espaço da vida, que ela deixou por tristeza por causa de Calímaco, porque pensava ser para ele motivo de escândalo! E, quando aprouver ao Senhor, ele a levará para si.” E sem demora João veio ao sepulcro, tomou-lhe a mão e disse: “Tu, que só és Deus, eu te invoco, o imenso, o indizível, o incompreensível, a quem todo poder do mundo está sujeito, diante de quem todo poderio se inclina, diante de quem todo orgulho cai e se cala, diante de cuja voz os demônios são confundidos, à contemplação de quem toda a criação se rende em tranquila meditação. O teu nome será santificado por nós; ressuscita Drusiana, para que Calímaco seja ainda mais firmado em ti, que só podes fazer o que é inteiramente impossível ao homem, e estabeleceste a dispensação da salvação e da ressurreição; e que Drusiana saia consolada do sepulcro, ela que, em consequência da conversão do jovem, já não tem em si o menor impedimento para te desejar!”
80Tendo falado assim, João disse: “Drusiana, levanta-te!” E ela levantou-se e saiu do túmulo. E, quando viu que não vestia nada senão a camisa, não sabia como explicá-lo, como acontecera. Tendo sabido tudo por Andrônico, enquanto João estava com o rosto em terra e Calímaco louvava a Deus chorando, também ela se alegrou e louvou a Deus.
81Tendo-se vestido e olhando em volta, viu Fortunato. E disse a João: “Pai, também ele há de levantar-se, por mais que tenha tentado tornar-se meu traidor.” Quando Calímaco a ouviu falar assim, disse: “Não, peço-te, Drusiana. Pois a voz que ouvi não o mencionou, mas só anunciou a tua ressurreição, e, quando a vi, cri. Se ele fosse bom, Deus certamente o teria ressuscitado por misericórdia, por meio do bem-aventurado João. Ele sabia que é bom que o homem permaneça morto.” E João lhe respondeu: “Filho, não aprendemos a pagar o mal com o mal. Pois Deus não nos retribuiu o mal que lhe fizemos, mas deu-nos (a oportunidade do) arrependimento. E, quando não conhecíamos o seu nome, não se esqueceu de nós, mas teve misericórdia de nós. E, quando o injuriávamos, não nos abandonou, mas foi misericordioso. E, quando éramos incrédulos, não se lembrou do mal. E, quando perseguíamos os seus irmãos, não nos retribuiu, mas fez-nos arrepender, afastar-nos dos pecados, e chamou-nos para si, como chamou também a ti, filho Calímaco, e, sem se lembrar dos teus pecados anteriores, fez de ti seu servo pela sua misericórdia longânime. Se não queres que eu ressuscite Fortunato, que o faça Drusiana.”
82Sem vacilar na alegria do seu espírito e da sua alma, ela foi ao corpo de Fortunato e disse: “Deus dos éons, Jesus Cristo, Deus da verdade, tu me permitiste ver sinais e prodígios, tu me deste a graça de participar do teu nome. Sopraste em mim o teu espírito com a tua face polimorfa e mostraste-me muita compaixão. Com a tua rica bondade, protegeste-me quando o meu antigo marido, Andrônico, me fazia violência, e deste-me depois o teu servo Andrônico por irmão. Até agora me guardaste pura, a mim, tua serva. A mim, morta, ressuscitaste por meio do teu servo João. A mim, que ressuscitei, mostraste sem escândalo aquele que se escandalizara (comigo). Deste-me perfeito descanso em ti e livraste-me da ilusão oculta. Amo-te de todo o coração. Suplico-te, Cristo, que não despeças sem ser ouvida a tua Drusiana, que te pede a ressurreição de Fortunato, por mais que ele tenha tentado tornar-se meu traidor.”
83E ela tomou a mão do morto e disse: “Levanta-te, Fortunato, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo!” E Fortunato levantou-se. E, vendo João no túmulo, e Andrônico e Drusiana ressuscitada dos mortos, e Calímaco crendo, disse: “Oh, até onde se estendeu o poder destas pessoas terríveis! Quisera não ter sido ressuscitado, mas antes ter ficado morto, para não ser obrigado a vê-los.” E, tendo falado assim, fugiu do túmulo.
84E, quando João percebeu a alma imutável de Fortunato, disse: “Ó natureza, que não se voltou para o mais elevado! Ó fonte da alma, que permanece na imundície! Ó propriedade da corrupção, cheia de trevas! Ó morte, que danças entre os que te pertencem! Ó floresta, de árvores cheias de rebentos doentios, vizinha da incredulidade! Ó árvore sem fruto, cheia de fogo! Ó lenho, que produz carvão como fruto! Mostraste o que és, e serás confundido com os teus filhos. E a faculdade de louvar as coisas mais altas não a conheces, pois não a tens. Por isso, como o teu fruto, assim a tua raiz e a tua natureza. Desaparece de junto dos que esperam no Senhor — dos seus pensamentos, do seu espírito, das suas almas, dos seus corpos, do seu agir, da sua vida, da sua conversação, da sua atividade, da sua ocupação, do seu conselho, da sua ressurreição para Deus, do seu suave perfume de que terás parte, do seu jejum, das suas orações, do seu santo batismo, da sua eucaristia, do seu alimento de carne, da sua bebida, da sua veste, do seu amor, do seu descanso, da sua continência e da sua justiça. De todas estas coisas, ó Satanás profaníssimo e abominável, Jesus Cristo, nosso Deus e ‹ Senhor? › dos que são semelhantes a ti e têm a tua natureza, te manterá afastado.”
85Depois destas palavras, João orou, trouxe um pão ao túmulo para parti-lo e disse: “Louvamos o teu nome, que nos converteste do erro e das concupiscências impiedosas. Louvamos-te, que puseste diante dos nossos olhos o que vimos. Damos testemunho da tua bondade, manifestada a nós de diversos modos. Santificamos o teu bom nome, Senhor, ‹ e te damos graças ›, porque mostraste os que foram convencidos por ti. Damos-te graças, Senhor Jesus Cristo, porque cremos na tua imutável ‹ misericórdia ›. Damos-te graças porque necessitas de uma natureza humana salva. Damos-te graças porque nos deste esta segura ‹ fé ›: que só tu és Deus, e para sempre. Nós, teus servos, te damos graças, ó Santo, que encontraram (boa) razão, e os que ressuscitam (dos mortos).
86Tendo assim orado e louvado a Deus, saiu do túmulo e fez todos os irmãos participarem da eucaristia do Senhor. E, quando chegou à casa de Andrônico, disse aos irmãos: “Caros irmãos, um espírito dentro de mim profetizou que, em consequência da mordida da serpente, Fortunato morreu de envenenamento do sangue. Que alguém se apresse e verifique se é assim!” E um dos jovens correu e achou-o já morto, tendo o veneno se espalhado e chegado ao coração. E voltou a João, relatando que ele estava morto já havia três horas. E João disse: “Tens o teu filho, diabo!”
Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão inglesa de Bernhard Pick
Fonte: Wikisource — The Apocryphal Acts of Paul, Peter, John, Andrew and Thomas
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