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Evangelho Árabe da Infância — 7. Chegada dos magos

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1E na mesma noite em que o Senhor Jesus nasceu em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, um anjo da guarda foi enviado à Pérsia. E apareceu às gentes do país sob a forma de uma estrela muito brilhante, que iluminava toda a terra dos persas. E, como no dia 25 do primeiro kanun (festa da Natividade do Cristo) havia grande festa entre todos os persas, adoradores do fogo e das estrelas, todos os magos, com pomposo aparato, celebravam magnificamente a sua solenidade, quando de súbito uma luz vivíssima brilhou sobre as suas cabeças. E, deixando os seus reis, os seus banquetes, todas as suas diversões, e abandonando as suas moradas, saíram para gozar do espetáculo insólito. E viram que uma estrela ardente se tinha levantado sobre a Pérsia e que, pela sua claridade, se parecia com um grande sol. E os reis disseram aos sacerdotes na sua língua: Que é este sinal que observamos? E, como por adivinhação, responderam sem querer: Nasceu o rei dos reis, o deus dos deuses, a luz emanada da luz. E eis que um dos deuses veio anunciar-nos o seu nascimento, para que vamos oferecer-lhe presentes e adorá-lo. Diante desta revelação, todos, chefes, magistrados, capitães, levantaram-se e perguntaram aos seus sacerdotes: Que presentes convém que lhe levemos? E os sacerdotes responderam: Ouro, incenso e mirra. Então três reis, filhos dos reis da Pérsia, tomaram, como por uma disposição misteriosa, um três libras de ouro, outro três libras de incenso e o terceiro três libras de mirra. E revestiram-se dos seus ornamentos preciosos, pondo a tiara na cabeça e levando o seu tesouro nas mãos. E, ao primeiro canto do galo, deixaram o seu país, com nove homens que os acompanhavam, e puseram-se a caminho, guiados pela estrela que lhes tinha aparecido. E o anjo que tinha arrebatado de Jerusalém o profeta Habacuc e que tinha dado alimento a Daniel, encerrado na cova dos leões, na Babilônia, esse mesmo anjo, pela virtude do Espírito Santo, conduziu os reis da Pérsia a Jerusalém, conforme Zoroastro o tinha predito. Partidos da Pérsia ao primeiro canto do galo, chegaram a Jerusalém ao romper do dia e interrogaram as gentes da cidade, dizendo: Onde nasceu o rei que viemos visitar? E, a esta pergunta, os habitantes de Jerusalém agitaram-se, temerosos, e responderam que o rei da Judeia era Herodes.

2Sabendo do caso, Herodes mandou buscar os reis da Pérsia e, tendo-os feito comparecer diante de si, perguntou-lhes: Quem sois? De onde vindes? Que procurais? E eles responderam: Somos filhos dos reis da Pérsia, vimos da nossa nação e procuramos o rei que nasceu na Judeia, na terra de Jerusalém. Um dos deuses nos informou do nascimento desse rei, para que viéssemos apresentar-lhe as nossas oferendas e a nossa adoração. E o medo apoderou-se de Herodes e da sua corte, ao verem aqueles filhos dos reis da Pérsia, com a tiara na cabeça e com o seu tesouro nas mãos, em busca do rei nascido na Judeia. Muito particularmente se alarmou Herodes, porque os persas não reconheciam a sua autoridade. E disse consigo: Aquele que, ao nascer, submeteu os persas à lei do tributo, com maior razão nos submeterá a nós. E, dirigindo-se aos reis, expôs: Grande é, sem dúvida, o poder do rei que vos obrigou a chegar até aqui para lhe prestar homenagem. Na verdade, é um rei, o rei dos reis. Ide, informai-vos de onde ele se encontra e, quando o tiverdes encontrado, vinde fazer-mo saber, para que eu também vá adorá-lo. Mas Herodes, tendo formado no seu coração o desígnio perverso de matar o menino, ainda de pouca idade, e os reis com ele, disse consigo: Depois disso, toda a criação me ficará submetida.

3E os magos deixaram a audiência de Herodes e viram a estrela, que ia diante deles e que parou sobre a caverna em que o menino Jesus tinha nascido. Em seguida, mudando de forma, a estrela tornou-se semelhante a uma coluna de fogo e de luz que ia da terra ao céu. E entraram na caverna, onde encontraram Maria, José e o menino envolto em panos e reclinado na manjedoura. E, oferecendo-lhe os seus presentes, adoraram-no. Depois saudaram os seus pais, os quais estavam estupefatos, contemplando aqueles três filhos de reis, com a tiara na cabeça e ajoelhados em adoração diante do recém-nascido, sem levantar nenhuma questão a seu respeito. E Maria e José lhes perguntaram: De onde sois? E eles lhes responderam: Somos da Pérsia. E Maria e José insistiram: Quando saístes de lá? E eles disseram:

4Ontem à tarde havia festa na nossa nação. E, depois do banquete, um dos nossos deuses nos advertiu: Levantai-vos e ide apresentar as vossas oferendas ao rei que nasceu na Judeia. E, partidos da Pérsia ao primeiro canto do galo, chegamos hoje até vós, na hora terceira do dia.

4E Maria, pegando um dos panos de Jesus, deu-lho como eulogia. E eles o receberam das suas mãos de muito bom grado, aceitando-o, com fé, como um presente valiosíssimo. E, quando chegou a noite do quinto dia da semana seguinte à natividade, o anjo que antes lhes tinha servido de guia apresentou-se-lhes de novo sob a forma de estrela. E seguiram-no, conduzidos pela sua luz, até a sua chegada ao seu país.

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Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco

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