Evangelho do Pseudo-Mateus — 6. Origem da saudação «Deo gratias»
Ler no Une Sacra1E Maria causava admiração a todos. Aos três anos de idade, andava com passo tão seguro, falava tão perfeitamente, punha tanto ardor nos seus louvores a Deus, que a teriam tomado não por uma menina pequena, mas por uma pessoa adulta, pois recitava as suas preces como se tivesse trinta anos. E o seu semblante resplandecia como a neve, a ponto de mal se poder olhar para ela. E aplicava-se a trabalhar a lã, e o que as mulheres adultas não sabiam fazer, ela, em idade tão tenra, fazia com perfeição.
2E tinha-se imposto a seguinte regra. Desde o amanhecer até a hora terça, permanecia em oração. Da hora terça até a nona, ocupava-se em tecer. À nona, voltava a orar, e não deixava de fazê-lo até o momento em que o anjo do Senhor lhe aparecia, e ela recebia o alimento das suas mãos. Enfim, com as jovens mais velhas, instruía-se tanto, fazendo progressos dia após dia, na prática de louvar o Senhor, que nenhuma a precedia nas vigílias, nem era mais sábia do que ela na lei de Deus, nem mais humilde, nem mais hábil em entoar os cânticos de Davi, nem mais graciosa na sua caridade, nem mais pura na sua castidade, nem mais perfeita em toda virtude, nem mais constante, nem mais inabalável, nem mais perseverante, nem mais adiantada na prática do bem.
3Nunca a viram encolerizada, nem a ouviram murmurar de ninguém. Toda a sua conversa era tão cheia de doçura que se reconhecia a presença de Deus nos seus lábios. Ocupava-se continuamente em orar e em meditar a lei e, cheia de solicitude pelas suas companheiras, cuidava de que nenhuma pecasse sequer numa só palavra, de que nenhuma levantasse demais a voz ao rir, de que nenhuma injuriasse ou menosprezasse outra. Bendizia o Senhor sem cessar e, para não se distrair de louvá-lo, quando alguém a saudava, dizia por resposta: Graças sejam dadas a Deus. Daí veio aos homens o costume de responder: Graças sejam dadas a Deus, quando se saúdam. Diariamente comia o alimento que recebia das mãos do anjo e, quanto ao que os sacerdotes lhe forneciam, distribuía-o entre os necessitados. Muitas vezes viam-se os anjos conversar com ela e obedecer-lhe com o afeto de verdadeiros amigos. E, se algum doente a tocava, voltava imediatamente curado para casa.
Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco
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