Une Sacra

Evangelho do Pseudo-Mateus — 8. A guarda de Maria

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1E Maria chegou aos catorze anos, e isso deu ocasião aos fariseus para lembrar que, conforme a tradição, uma mulher não podia continuar vivendo no templo de Deus. Então resolveu-se enviar um arauto a todas as tribos de Israel, a fim de que, no prazo de três dias, todos se reunissem no templo. E, quando todos se congregaram, Abiatar, o Sumo Sacerdote, levantou-se e subiu ao alto dos degraus, a fim de que todo o povo pudesse vê-lo e ouvi-lo. E, tendo-se feito grande silêncio, disse: Escutai-me, filhos de Israel, e atendei às minhas palavras. Desde que o templo foi construído por Salomão, moram nele virgens, filhas de reis, de profetas, de sacerdotes, de pontífices, e estas virgens foram grandes e admiráveis. No entanto, mal chegavam à idade núbil, seguiam o costume dos nossos antepassados e tomavam esposo, agradando assim a Deus. Somente Maria encontrou um novo modo de agradar-lhe, prometendo-lhe que se conservaria sempre virgem. Parece-me, pois, que, interrogando a Deus e pedindo-lhe a sua resposta, podemos saber a quem deveremos dá-la em guarda.

2Toda a assembleia aprovou este discurso. E os sacerdotes lançaram sortes entre as doze tribos, e a sorte recaiu sobre a tribo de Judá. E o Sumo Sacerdote disse: Amanhã, venha todo aquele que for viúvo nessa tribo e traga uma vara na mão. E José teve de ir com os jovens, levando também a sua vara. E, quando todos entregaram as suas varas ao Sumo Sacerdote, este ofereceu um sacrifício a Deus e o interrogou sobre o caso. E o Senhor lhe disse: Coloca as varas no Santo dos Santos, e que permaneçam ali. E ordena a esses homens que voltem aqui amanhã e que recuperem as suas varas. E da extremidade de uma delas sairá uma pomba, que voará para o céu, e aquele em cuja vara se cumprir este prodígio será o designado para guardar Maria.

3E, no dia seguinte, todos se congregaram de novo e, depois de oferecido o incenso, o Pontífice entrou no Santo dos Santos e apresentou as varas. E, uma vez distribuídas todas, viu-se que de nenhuma delas saía a pomba. E Abiatar revestiu-se da veste das doze campainhas e dos hábitos sacerdotais e, entrando no Santo dos Santos, acendeu o fogo do sacrifício. E, enquanto orava, um anjo lhe apareceu, dizendo-lhe: Há aqui uma vara muito pequena, com a qual não contaste, apesar de a teres depositado com as outras. Quando a tiveres devolvido ao seu dono, verás aparecer nela o sinal que te foi indicado. E a vara era a de José, que, considerando-se descartado por ser velho, e temendo ver-se obrigado a receber a jovem, não quisera reclamar a sua vara. E, como se mantivesse humildemente no último lugar, Abiatar gritou-lhe em alta voz: Vem e toma a tua vara, que é a ti que se espera. E José avançou tremendo, pelo tom forte com que o Sumo Sacerdote o chamara. E, mal estendeu a mão para tomar a sua vara, da extremidade desta surgiu de repente uma pomba mais branca que a neve e extremamente bela, a qual, depois de ter voado algum tempo no alto do templo, se perdeu no espaço.

4Então todo o povo felicitou o ancião, dizendo-lhe: Feliz és na tua velhice, pois Deus te designou como digno de receber Maria. E os sacerdotes lhe disseram: Toma-a, já que foste escolhido pelo Senhor em toda a tribo de Judá. Mas José começou a prostrar-se, suplicante, e disse-lhes com timidez: Sou velho e tenho filhos. Por que me confiais esta jovem? E o Sumo Sacerdote lhe disse: Lembra-te, José, de como pereceram Datã, Abirão e Coré, por terem desprezado a vontade do Altíssimo, e teme que te aconteça o mesmo, se não acatares a sua ordem. E José lhe disse: Na verdade, não menosprezo a vontade do Altíssimo, e serei o guardião da moça até o dia em que o próprio Deus me fizer saber qual dos meus filhos há de tomá-la por esposa. Entretanto, deem-se a ela algumas virgens dentre as suas companheiras, com as quais more. E Abiatar respondeu: Ser-lhe-ão dadas virgens, para seu consolo, até que chegue o dia marcado para que tu a recebas, porque não poderá casar-se com nenhum outro senão contigo.

5E José tomou Maria com outras cinco donzelas, que haviam de morar com ela em sua casa. E as donzelas eram Rebeca, Séfora, Susana, Abigeia e Zael, às quais os sacerdotes deram seda, linho, jacinto, violeta, escarlate e púrpura. E lançaram sortes entre elas para saber em que cada uma trabalharia, e a Maria coube a púrpura destinada ao véu do templo do Senhor. E, ao tomá-la, as outras lhe disseram: És a mais jovem de todas e, no entanto, mereceste obter a púrpura. E, depois de dizerem isto, começaram a chamá-la, por zombaria, a rainha das virgens. Mas, mal acabaram de falar assim, um anjo do Senhor apareceu no meio delas e exclamou: O vosso apelido não será um apelido sarcástico, mas uma profecia muito verdadeira. E as jovens ficaram mudas de terror diante da presença do anjo e das suas palavras, e suplicaram a Maria que as perdoasse e que rogasse por elas.

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Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco

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