Evangelho do Pseudo-Mateus — Prólogo C
Ler no Une Sacra1Outra epístola que se lê no início de certas edições
2Pedis a minha opinião sobre certo livrinho referente à natividade de Santa Maria, que alguns fiéis possuem, e quero que saibais que nele se encontram não poucas falsidades. A causa disso é tê-lo composto um tal Seleuco, autor de várias gestas sobre pregações e martírio de apóstolos. Ele diz a verdade em tudo o que concerne aos milagres e aos prodígios por estes realizados, mas ensina mentira no que toca à sua doutrina e, além disso, inventou por sua conta e risco muitas coisas que não aconteceram. Esforçar-me-ei, pois, por traduzir o escrito, palavra por palavra, do hebraico, visto ter sido o santo evangelista Mateus quem o redigiu e quem o pôs no início do seu Evangelho, embora ocultando-o sob o véu daquela língua. Quanto à exatidão deste pormenor, remeto-me ao autor do prefácio e à boa-fé do escritor. Porque, mesmo admitindo que o opúsculo suscite dúvidas, não afirmaria de modo absoluto que encerre falsidades. Mas posso dizer livremente (e nenhum fiel, segundo penso, me contradirá) que, sejam verídicos ou completamente imaginários os relatos que nele se contêm, não deixa de ser certo que a santíssima natividade de Maria foi precedida de grandes milagres e seguida de outros não menores. Assentado isto com toda a boa-fé, considero que o livro pode ser lido e crido sem perigo para as almas dos que sabem que está na onipotência de Deus fazer essas coisas. Finalmente, na medida em que a minha memória o permitiu, levando-me a seguir o sentido mais do que as palavras, procurei ora avançar pela mesma estrada do escritor, sem por isso pôr os meus pés na marca dos seus passos, ora voltar à mesma estrada por caminhos de atalho. Assim tentei redigir esta história, e não direi outra coisa senão o que nela está escrito, ou o que logicamente poderia ter sido escrito.
Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco
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