Evangelho do Pseudo-Mateus — 2. Dor de Joaquim e de Ana
Ler no Une Sacra1E aconteceu que, num dia de festa, Joaquim se encontrava entre os que ofereciam incenso e outras oferendas ao Senhor, e ele preparava as suas. E, aproximando-se um escriba do templo chamado Rúben, disse-lhe: Não podes continuar entre os que fazem sacrifícios a Deus, porque ele não te abençoou, não te concedendo uma descendência em Israel. E, tendo sofrido esta afronta na presença do povo, Joaquim deixou, chorando, o templo do Senhor, e não voltou para a sua casa, mas foi para onde estavam os seus rebanhos, e levou consigo os seus pastores para as montanhas de uma região distante, e, durante cinco meses, sua esposa Ana não teve nenhuma notícia dele.
2E a triste chorava, dizendo: Senhor, Deus fortíssimo e poderosíssimo de Israel, depois de me teres negado filhos, por que me arrebatas também o meu esposo? Eis que se passaram cinco meses e não o vejo. E não sei se está morto, para ao menos lhe dar sepultura. E, enquanto chorava abundantemente no jardim da sua casa e erguia na sua prece os olhos ao Senhor, viu um ninho de pardais num loureiro e, entremeando as suas palavras de gemidos, dirigiu-se a Deus e lhe disse: Senhor, Deus onipotente, que concedeste descendência a todas as criaturas, aos animais selvagens, aos animais de carga, às serpentes, aos peixes, aos pássaros, e que fizeste que todos se alegrem com a sua prole, por que excluíste somente a mim dos favores da tua bondade? Bem sabes, Senhor, que, desde o começo do meu matrimônio, fiz voto de que, se me desses um filho ou uma filha, eu o ofereceria no teu santo templo.
3E, ao terminar o seu clamor doloroso, eis que de súbito apareceu diante dela um anjo do Senhor, dizendo-lhe: Não temas, Ana, porque está no desígnio de Deus que saia de ti um rebento, o qual será objeto da admiração de todos os séculos até o fim do mundo. E, mal pronunciou estas palavras, desapareceu de diante dos seus olhos. E ela, trêmula e cheia de pavor, por ter tido semelhante visão e por ter ouvido semelhante linguagem, lançou-se no leito como morta, e todo o dia e toda a noite permaneceu em oração contínua e em extremo terror.
4Por fim, chamou a sua serva e lhe disse: Como, vendo-me desolada pela minha viuvez e abatida pela angústia, não vieste assistir-me? E a serva respondeu-lhe, murmurando: Se Deus fechou a tua madre e te afastou do teu marido, que posso eu fazer por ti? E, ao ouvir isto, Ana chorava ainda mais.
Versão: Tradução (edição 1) — Tradução popular, a partir da versão espanhola de González-Blanco
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